quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Finalmente temos casa

E chegámos às 3 semanas em Maputo. Nesta semana passou-se muita coisa, talvez por isso não tenha feito posts aqui no blog e talvez por não ter tido paciencia. Mas as coisas estão a andar e a partir de agora já vou ter muita... É que - finalmente - estamos nas nossas casitas, mas já lá vamos.

Para já, fizemos mais um trabalho, uma conferência anual da CGIAR (Consultative Group on International Agricultural Research), feita no Centro de Conferências de Joaquim Chissano em directo para a TVM. Fomos para o centro no domingo montar os camiões, correu tudo bem ... e só não digo muito bem por algumas pequenas razões.

Desta vez o pessoal daqui até ajudou, funcionou tudo à primeira, com alguns ajustes, mas funcionou! Escusado será dizer que temos grandes profissionais aqui ... rrr ... rrr ... eu, o Neves e o Mário demos o litro como ó caraças. O pessoal daqui ficava pasmado a olhar para o nosso "profissionalismo", completamente boquiabertos e lá ajudavam, mas muito d e v a g a r i n h o, estilo alentejano ... mas muito pior! Ouve um dos operadores de camâra daqui então ... caramba, não dá para explicar! Epa, o puto não fez nada, nós chegámos as oito da manhã para montar e testar tudo, ele chegou por volta das três, para logo a seguir se sentar e não fazer nada.

Ah esqueçi-me de dizer que depois de montar o carro e testar tudo, no domingo de manhã, à tarde tivemos de desmontá-lo e porquê? Porque foi preciso mudar o camião de sítio, por causa dos seguranças do Senhor Presidente de Moçambique Armando Guebuza, que disseram que não podia estar ali. Pronto, lá mudámos aquilo de sítio como se fosse um sofá ou qualquer coisa parecida.

Voltando ao tal menino, já na segunda-feira, chegámos às sete horas da manhã para começar a conferência, ensaiámos um pouco, fizemos os últimos retoques e lá começou, às oito e meia. Estava a correr tudo bem, não fosse o menino estar atrasado. Chegou às nove para se pôr atrás da camâra e apontar ... fazer um plano ... trancar a camâra ... chegar-se para trás ... e encostar-se à parede a mexer no telemóvel. E lá ficou, até que ... saiu da camâra e foi-se embora. O Abílio bem que perguntava pela quatro, mas não havia e foi assim durante o resto da manhã, ora ia, ora vinha. Nesses momentos, imaginava o Abílio lá dentro indignado, a roer-se todo e a querer acender "aquele" charuto cubano, tão adorado por ele (o menino é lindo). Tirando esta personagem, o trabalho até correu bem, fizemos grande parte das quatro horas em directo para a TVM e para o telejornal.

Ainda na semana passada, ouve cortes de cabelo para o Neves e o Mário num cabeleireiro chamado Playboy! Pela cara deles quando lá chegámos, deviamos ser os primeiros brancos a quererem cortar o cabelo no estabelecimento, aí descobri que mais um ano ou dois e temos um careca. Também comemos comida tailandesa, que por sinal até não era má, foi a minha primeira vez, mas gostei e espero lá voltar. Mas mais importante que isto, o Mário e o Abílio, foram para a casa onde iram morar, um T3, com áreas fixes, é grandinha, já estava equipada, quase tudo prontinho, faltavam algumas coisas.

Já eu e o Neves, saltávamos de hotel para hotel: começámos pelo resort "e estavamos tão bem", mas pronto! Na passada segunda-feira tivemos de ir para o Hotel Avenida, não chegámos a dormir lá, dormimos em casa deles. O hotel era muito mau mesmo, talvez o mais baratinho que havia ali. Na terça fomos para o Hotel Terminus, após muita procura de hotéis o dia todo, este sim, muito fixe! Barzinho mesmo ao lado, uma piscina pequena, mas gostámos - iriamos para um quarto duplo, pensávamos nós - saiu uma suite enorme, com dois quartos, porque não tinham quartos disponíveis. Puseram uma cama extra e cobraram o mesmo preço! Quando nos perguntaram se nos importávamos de ir para lá ... não sei qual de nós disse primeiro que não haveria problema nenhum em ir para a mega suite.

Dormimos lá até segunda-feira desta semana. E ontem nova ronda: fomos para o Hotel Cardozo, simplesmente um dos melhores hotéis de Maputo. Sinceramente, não dá para perceber estas escolhas. Finalmente, hoje viemos para a nossa casa, um nono andar com vista para Maputo, quase no centro, um T3 com uma sala enorme, uma cozinha enorme, três quartos enormes, duas casas de banho ... e tudo no interior vai ser novo, como camas, electrodomésticos, sofás, etc.

Só hoje montámos uma fechadura nova, pusemos tvcabo e netcabo, ar condicionado, tivemos duas senhoras a limpar a casa, comprámos toalhas, lençóis, parecia uma festa. Por entre o pó das brocas a furarem paredes, martelos, pessoas a andarem de um lado para o outro, lá conseguimos passar o dia, ver o pôr-do-sol da nossa varanda ... para estar neste momento em que escrevo o post, sentado no meu sofazinho, a fumar um cigarro, a ver séries na foxlife e com o Neves completamente esticado em cima do outro sofá.

Finalmente vou ter o prazer de desfazer a mala de viagem, pôr a roupa no armário e quando acabar ter aquela sensação de que começou outra etapa aqui em Maputo: uma etapa que me diz que vou ficar aqui algum tempo, acompanhado por grandes senhores e confortável numa bela casa. Para mais tarde recordar...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Duas velhas a discutir...

Estamos quase a completar duas semanas aqui em Maputo.

Acompanhado desta equipa espectacular, tenho conseguido passar estes dias sem problemas e com muita camaradagem à mistura, temo-nos divertido muito. Somos todos diferentes, mas ao mesmo tempo também somos iguais! Estamos no mesmo barco e, talvez por isso, os dias passem rapidamente, nem damos conta das horas, das conversas que temos durante o dia e à noite ... quando damos por ela já são duas ou três da manhã. Nestas conversas vou sublinhar duas pessoas: o Mário (responsável técnico) e o Abílio (realizador), e porquê? Porque parecem duas velhas a discutir, é incrivel! Quando embalam, não se calam e quando ambos discordam de alguma coisa e puxam a brasa à sua sardinha parecem duas velhas. Ou melhor, estão a ver os dois cotas dos Marretas a discutir?

É claro que há mais pessoas na equipa, somos cinco ao todo, mas em breve seremos quatro. O Pedro (operador do carro satélite) vai-se embora para a semana, com muita pena minha, porque simpatizei com ele desde o primeiro momento e temos tido grandes conversas. Por acaso somos parecidos em alguns aspectos, como por exemplo a música. O mais engraçado é que já perguntaram se eramos irmãos, deve ter sido pela barba por fazer.
Outro gajo é o Neves (editor), também muito boa pessoa, mas nunca vi ninguém tão despassarado como ele, no bom sentido, claro! É daquelas pessoas que não se vê todos os dias, em que a inocência reina. Isto é, sabes que não faz mal a ninguém e que está sempre pronto a ajudar o próximo.

Voltando ao Mário, posso dizer que está no lote das pessoas que mais respeito neste mundo. Conhece-me praticamente desde os doze anos, azar porque acabei por trabalhar com ele ... e neste caso já lá vão uns 10 anos, nunca directamente como estou a fazer agora. Muito do que eu sei aprendi também com ele e espero vir a aprender muito mais ainda com esta oportunidade que ele me deu. É por causa dele que vim para Moçambique e, por isso, não o quero desiludir.
E agora o Abílio, um profissional de excelência, dos maiores realizadores de mundo, um dinossauro da RTP, um companheiro de copos, vai ser outro dos meus professores durante esta estadia, porque sei que posso aprender muito com ele. Até porque ele também vai dar formação aqui ao pessoal de Moçambique e, claro, vou-me colar. Só o conheço há uma semana, mas é daquelas pessoas que dá prazer ouvir quando se está numa conversa, porque está disposto a ensinar o que sabe ... e o que aprendeu durante os trinta anos em que trabalha nesta área. Espero mesmo aprender muito com ele. Aliás, umas das razões que vim foi querer saber mais, por isso junto o útil ao agradável.

E pronto falto eu, um mísero operador de câmara que quer aprender, aprender e aprender! Nunca é demais saber coisas novas e por isso apostei nesta experiência única, onde tive sorte. Sorte com as pessoas que vieram comigo, sorte nas pessoas que deixei para trás, mas que acima de tudo me apoiaram.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

E lá passou uma semana...


Uma semana depois, posso dizer que eu e os meus colegas estamos completamente integrados em Maputo. Já toda a gente nos conhece, até já somos motivo de risota, isto porque cinco brancos dentro de um carrito estilo nissan micra, não se vê todos os dias aqui. À conta do "boginhas", como nós chamamos ao pequeno carrito, toda a gente nos cumprimenta.

Finalmente, na sexta, fizemos o nosso primeiro trabalho com os camiões, um concerto no Teatro Avenida, em plena baixa de Maputo, onde gravámos "live on tape" o concerto do mundialmente famoso Robson, um cantor brasileiro que canta músicas de Roberto Carlos. Três horas de concerto com uma câmara ao ombro, mais de cinquenta músicas, claro que acabei completamente de rastos o concerto, mas valeu a pena ouvir os agradecimentos do realizador no final. Primeiro teste passado com distinção! O que ninguém sabe é que antes do concerto, a equipa tuga anda a mamar uns quantos whyskies triplos, e porquê? Eram de borla! E como grandes tugas que somos: "ai é? Então passa para cá umas garrafas. Às tantas tinhamos a produtora moçambicana, mais conheçida por "Páscoa", a dizer: "aqui em Moçambique só bebemos depois do trabalho", ao qual nós respondemos: "pois, mas nós para trabalhar bem temos de beber antes".

O que realmente aconteceu, o trabalho ficou excelente, nada a que esta gente esteja habituada. Mas, sinceramente, nem tudo correu bem! A produção neste sítio não existe, já damos graças às produtoras em Portugal, de que tanto dizemos mal. Afinal, comparando com isto até trabalham. Acordámos às cinco da manhã para irmos para o teatro por causa dos carros, tinhamos de estacioná-los em frente ao teatro. Apanhámos sete horas de seca, porque não tinhamos lugar para estacionar e tivemos de esperar que as pessoas ao longo da manhã tirassem os carros. Só por volta das duas da tarde tinhamos conseguido os lugares para estacionar os camiões. E pronto, o resto foi montar o material, testar tudo e esperar pelo concerto.

Já este fim de semana, não fizemos a ponta de um corno. Passámos o dia no resort a tomar banhos de sol, a ir para a piscina, a comer tostas mistas, a beber umas imperiais, a ver filmes, nada de produtivo como se vê. Hoje, segunda-feira, vamos finalmente testar o carro satélite, só isso, porque depois vamos para onde? Piscina! E vai ser passado assim o resto do dia.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Lata de sardinhas Branca com 5 brancos la dentro


Pois é, cá estou eu em Maputo. Uma nova vida, uma nova experiência e novos amigos. Tenho saudades do que deixei para trás, principalmente das pessoas e mais do que tudo da minha "mokinhas".

Já passaram três dias, mas tb já me aconteceu de tudo, a começar pelas 10 horas de viagem de avião. Logo na primeira refeição, comi o tão esperado marisco e uma bela de uma garoupa no mercado do peixe - comecei bem - já agora, também já marchou uma pizza. Conhecemos o resort onde vamos morar nas primeiras duas semanas... eh eh tem piscina e claro, internet ( hackeada ). Mas continuando, na segunda tivemos o primeiro contacto com o nosso carro de exteriores, e claro fizemos a visita guiada aos vips da TVM (Televisão de Moçambique), e já pusemos uns a mudar o primeiro pneu furado do camião, claro está que quando acabaram o trabalho (passado duas horas), a primeira coisa que disseram foi "hoje não fazemos mais nada". Ah, e por último, conhecemos o nosso "boginhas". Na terça-feira, conhecemos as novas instalações onde vamos trabalhar, cujo dono nem vou comentar, pq só me apetece é #$%#$%# (tem um pouco a mania). Tb tivemos a ver umas casitas onde iremos morar, gostamos de uma, em cinco que vimos e claro que vamos ter tudo de borla, porque temos um certo senhor que paga tudo, até os 500 litros de gasóleo que metemos nos camiões. Hoje, finalmente estivemos algum trabalho, nada de especial, tivemos a testar os carros e as câmaras, e pelo vistos estava tudo a bombar. E foi só isso.

No fundo está tudo a correr bem, até parece que a equipa ja se conheçe há anos, damo-nos todos muito bem ( somos 5 tugas), já aprendi nestes 3 dias mais do que num ano, finalmente não me sinto estagnado profissionalmente, os locais são pessoas muito simpáticas, mas claro está, nem tudo são rosas, no meio de tanta pobreza e pronto, as saudades de casa começam a apertar, nem quero pensar daqui a 3,4,5,6 meses. Por agora é tudo, de certeza que me esqueci de dizer alguma coisa, mas sabem que para me exprima não sou lá muito bom.

Beijinhos e abraços com muitas saudades.