domingo, 12 de abril de 2009

Nampula

Esta semana de trabalho foi passada em Nampula, a fazer um vídeo institucional sobre a falta de água nas famílias moçambicanas. Um trabalho para umas das maiores empresas de Moçambique e com a participação do jornalista José Rodrigues dos Santos, da RTP. Além de Nampula, também tive a oportunidade de filmar a Ilha de Moçambique, algumas praias paradisíacas e aldeias completamente isoladas. Mas hoje vou falar só do tempo que passei em Nampula, o resto fica para mais tarde.


Imaginem então estar no meio de África, com paisagens deslumbrantes, em qualquer direcção que se olha, só se vê enormes planaltos rodeados por imponentes montanhas. Imaginem estar em contacto com aldeões nas mais remotas aldeias de Moçambique, observar como vivem o dia-a-dia. Foi com uma família, constituída por mãe e quatro filhos, que pude ver a realidade pura e dura africana: para terem água têm de se deslocar trinta quilómetros até ao riacho ou até à poça de água mais perto - o que como é óbvio, não é a melhor opção, embora seja a única. O problema é o contagio de doenças através destas águas, como a cólera e a malária. Daí estarmos a gravar este vídeo. Praticamente passei dois dias acompanhado por esta bela familia, filmei tudo o que fazem no dia-a-dia, a preparação das refeições, a ida à procura da água, as brincadeiras das crianças, a escola improvisada debaixo de um enorme castanheiro, até simulámos uma ida ao hospital para fingir um caso de cólera. Para ajudar a fazer a concretizar este projecto, foi convidado o jornalista José Rodrigues dos Santos para fazer as entrevistas, tanto à família, como a médicos, professores ... e para escrever o texto e gravar voz-off do vídeo.


Consegui gravar tudo o que precisava (e mais alguma coisa)! Como sempre, tive que gravar o nascer e pôr-do-sol ... o que para mim já é plano obrigatório da lista. Já agora, dois dias depois de chegarmos a Nampula, já tinhamos 90% do vídeo de sete minutos feito, só faltava mesmo os pivots e entrevistas com o José Rodrigues dos Santos. Portanto, o resto dos dias, embora a trabalhar, conseguimos também divertir-nos, ir à praia, passear por muitos sítios (verão mais no próximo post - o melhor fica para último), e ainda bem, porque toda a equipa mereceu: trabalhou arduamente, sem almoços, com viagens de três horas em estradas de terra batida, sol intenso, muito pó! Motivos que não impediram ninguém de fazer um bom trabalho, visto este vídeo ter o objectivo de sensibilizar mentalidades com muito dinheiro a ajudar este Continente, que bem precisa de ajuda. Pelo menos sinto que já fiz a minha parte, por mais pequena que seja.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Moçambique-Nigéria

No passado domingo fizemos mais um jogo de futebol, até agora o mais importante que a ZAP fez! Foi o jogo que opôs as selecções de Moçambique e da Nigéria no estádio da Machada, por sinal o maior de Moçambique, que registou cerca de 45.000 pessoas, e foi em directo para a TVM e SportFive, um canal sul africano nosso cliente neste projecto.



Como somos poucos aqui em Maputo, vieram de Portugal cinco bacanos muito fixes, dois dos quais já conhecia. Voltei a encontrar o Pedro e o Hugo, que tinham cá estado cerca de quinze dias. Chegaram no sabádo de manhã e logo de seguida, às oito horas, dirigiram-se para o estádio, onde nós já estavamos a montar o material. Juntos montamos tudo o que tinhamos e à tarde já estava tudo em casa ... uns a recuperar da viagem, outros do excesso de trabalho. Claro que não nos impediu de ir pela milionésima vez ao restaurante Sagres comer o belo do marisco e beber umas belas imperias, tudo por um preço simbólico de sete euros por cabeça! Tendo em conta o que comemos, é uma ninharia. No domingo, pelas sete da matina, fomos todos apanhados por um "chapa" alugado, visto sermos uma equipa de dezoito pessoas. Até ao estádio, que fica a cerca de vinte minutos de Maputo, foi uma algazarra dentro da carrinha, entre gritarias e canções o espírito estava em alta para este jogo. Chegados ao estádio, verificámos o material todo, testámos e às dez horas estavamos no "ar" em directo para a TVM ... directo que durou até ao começo do jogo, às três da tarde. Estavamos concentradíssimos nas câmaras, para dar o nosso melhor, e foi o que fizemos. Correu quase tudo bem, salvo pequenos erros de alguns camâras. Até o pessoal da TVM se safou - estavam inspirados! Mas o maior problema que tivemos e que ninguém reparou - só nós que estavamos atrás das camâras e no carro é que sabiamos - foi o facto de nos últimos vinte minutos do jogo, só termos três camâras a funcionar, num total de oito. A dada altura, ouvimos na intercom alguém a dizer "o carro está a arder" e passado uns segundos, as câmaras desligam-se em directo. Como é óbvio, o carro não ardeu, simplesmente houve um curto-circuito com um C.C.U.s das camâras! Sem saber o que se passava na altura e com o Abílio e o Mário aos berros dentro do carro, completamente stressados, e visto que só restavam três camâras, decidimos continuar o jogo e tentar safá-lo mesmo assim. O cómico no meio disto tudo e com alguma sorte, as camâras que tinham sobrevivido ao desaste eram as mais importantes para o jogo! Parecia que tinha sido de propósito: a camâra 1 "a que eu operava", por ser a "master" do jogo, a camâra 2 "a do Amado - um operador da TVM que tem futuro" era dos apertados, e por fim a 3 que captava as faltas e reacções, era importante por ser o Hugo a operá-la, sempre sabia o que fazer.



Lá nos aguentámos durante esses vinte minutos ... sem que ninguém se apercebesse. E no final do jogo recebemos orgulhosamente os parabéns do responsável e da produtora da SportFive ... Todos contentes fomos jantar à "Cristal", outro dos nossos restaurantes predilectos e, para variar, comemos nem uns alarves. Já agora, na segunda-feira voltámos a repetir a dose, tanto ao almoço como ao jantar ... a diferença é que passamos o dia na piscina.